O que é o processo de CKD na indústria automotiva e porque isso virou uma disputa? Entenda
Disputa por incentivo de montagens de veículos previamente fabricados na China é um novo capítulo após disputa sobre a importação em massa de veículos entre 2023 e 2024
por Renato Fonseca
Publicado em 20.01.2026
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Uma disputa entre fabricantes tradicionais de carros e as novas marcas que chegaram ao mercado criou uma briga de bastidores sobre uma decisão que o governo precisa tomar até o dia 31 de janeiro: a renovação de benefícios para quem monta veículos usando o método SKD e CKD - quando o veículo vem de fora parcialmente ou totalmente desmontado para ser montado aqui. Neste texto você entende os pontos desta disputa:

1 - Disputa começou com os chineses

A chegada de novas marcas de carros no Brasil se deu em um contexto de expansão da indústria chinesa e mais recentemente sobre a taxação dos produtos nos Estados Unidos. O Brasil virou destino visado por estes produtos.

O ponto principal foi a chegada da Byd que chegou com força em 2023 com o lançamento do Dolphin e a importação de milhares de unidades do modelo com uma taxa de importação que viabilizou a concorrência direta com os produtos nacionais. O sucesso da chinesa por aqui chacoalhou o mercado e criou uma pressão das marcas tradicionais sobre o governo.

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A resposta que deveria ser uma discussão sobre reduzir o imposto sobre o carro nacional, foi aumentar o imposto sobre os importados de forma escalonada. Essa decisão do governo acabou obrigando as chinesas a investirem em fábricas no Brasil.

2 - O que é CKD e SKD?

icone cameraNo processo de CKD e SKD o veículo vem pronto, mas desmontado, para ser montado localmente (Turboway/IA)

O ponto principal desta disputa é a Byd. Se o movimento fosse de poucas unidades talvez não chamasse tanto a atenção, mas a BYD abocanhou uma fatia considerável do mercado nacional em 2025, ficando à frente de marcas como a Peugeot, que está por aqui há mais de 25 anos.

A chinesa comprou a antiga fábrica da Ford em Camaçari e divulga que alguns de seus veículos estão com produção nacional. Não é bem assim. O que mudou até agora é que ao invés dos carros chegarem prontos aqui, agora eles vêm desmontados em kits e montados na Bahia. O sistema de montar carros pré-fabricados é chamado na indústria como CKD (quando o carro vem totalmente desmontado) ou SKD (quando o carro vem parcialmente desmontado).

É um processo diferente do que fazem as marcas já tradicionais no país. Um carro fabricado por aqui por essas marcas, por exemplo, tem uma média de 80% das peças produzidas localmente. Assim, o processo para montar um Volkswagen Tera envolve o desenho e a produção dos bancos, das rodas, do sistema de freios, faróis, etc. Ao passo que a produção de um BYD Dolphin Mini na Bahia envolve abrir caixas e montar as peças.

3 - O benefício que está em jogo

Para viabilizar essa "nacionalização", o governo concedeu no ano passado uma redução no imposto sobre carros que chegam aqui pré-fabricados. Aqui é preciso lembrar que também a Chevrolet viu  uma oportunidade: está montando o Spark em CKD usando a antiga fábrica da Troller no interior do Ceará. A Volkswagen também optou por esse sistema com carros da Audi, mas nenhuma marca atingiu o volume considerável de vendas como as Byd.

Segundo a associação das montadoras (Anfavea), a montagem de veículos CKD ou SKD põe em risco essa indústria automotiva nacional. A Byd rebate dizendo que há alarmismo.

O incentivo do governo à montagem no sistema CKD e SKD é temporária, afinal há um discurso das novas marcas de que esse sistema seria o adotado até as fábricas estarem capazes de fabricar um carro do modo pleno, o que até o momento não aconteceu. O benefício é válido até 31/01/2026.

4 - O que o governo precisa decidir

O incentivo está terminando e o governo pode renová-lo. É aqui que está a queda de braço entre as novas chinesas e as marcas tradicionais - e por isso a Anfavea tem feito barulho. Em agosto do ano passado a Byd se pronunciou assim:

“A reação da Anfavea [associação dos fabricantes] e seus associados, infelizmente, não é novidade. Trata-se do velho roteiro de sempre: diante de qualquer sinal de abertura de mercado ou inovação, surgem as ameaças de demissões em massa, fechamento de fábricas e o fim do mundo como conhecemos”.

Fato é que na próxima semana os holofotes desta disputa estarão sobre a extensão ou não dos benefícios para as indústrias automotivas que operam em CKD e SKD.

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